Aquela dor na boca do estômago que aparece entre as refeições ou durante a noite pode ser mais do que uma simples gastrite.
A úlcera gástrica é uma condição conhecida, com diagnóstico acessível e tratamento eficaz. Com a orientação certa, a cicatrização da lesão é possível e a qualidade de vida melhora de forma significativa.
Neste artigo, você vai entender o que é a úlcera gástrica, o que provoca o problema, como diferenciar os sintomas de outras condições e quais são as opções de tratamento mais atuais.
O que é úlcera gástrica?
A úlcera gástrica é uma ferida que se forma no revestimento interno do estômago. Diferente da gastrite, que é uma inflamação superficial da mucosa, a úlcera representa uma lesão mais profunda, que ultrapassa a camada de proteção e atinge tecidos mais internos.
Essa lesão acontece quando o equilíbrio entre os fatores de proteção do estômago e a agressão ácida é rompido. A mucosa gástrica, que normalmente funciona como uma barreira, perde sua capacidade de resistir ao ácido, e a ferida se forma.
Dados da literatura indicam que a prevalência ao longo da vida é de aproximadamente 10% na população geral, sendo mais comum em homens e em pessoas acima dos 60 anos

Causas da úlcera gástrica
Duas causas respondem pela grande maioria dos casos. Entender essas causas é essencial para o tratamento e a prevenção.
- Infecção por Helicobacter pylori: essa bactéria coloniza a mucosa do estômago e provoca inflamação crônica que pode evoluir para úlcera. Embora a proporção de úlceras ligadas ao H. pylori tenha diminuído nos últimos anos, a infecção segue como um dos principais fatores de risco.
- Uso de anti-inflamatórios não esteroidais: medicamentos como ibuprofeno, aspirina e naproxeno agridem diretamente a mucosa gástrica. Entre os usuários regulares desses medicamentos, a prevalência de úlcera varia de 10% a 30%.
- Combinação de H. pylori e anti-inflamatórios: quando os dois fatores estão presentes, o risco de úlcera com sangramento aumenta mais de seis vezes em comparação com cada fator isolado.
- Tabagismo: o cigarro prejudica a cicatrização da mucosa e aumenta a produção de ácido
- Consumo excessivo de álcool: irrita o revestimento do estômago e pode agravar lesões já existentes

Sintomas mais comuns
O sintoma mais característico é a dor ou queimação na parte superior do abdômen, geralmente na região da boca do estômago. Essa dor pode surgir entre as refeições, piorar com o estômago vazio ou aparecer durante a noite.
Outros sintomas incluem náuseas, sensação de estômago cheio, perda de apetite, eructação frequente e indigestão. Em alguns casos, a dor pode melhorar temporariamente após a alimentação ou com o uso de antiácidos, mas retorna quando o efeito passa.
Nos quadros mais graves, a lesão pode provocar complicações como sangramento digestivo, que se manifesta por vômitos com sangue ou fezes muito escuras e com odor forte. Perfuração da parede do estômago e obstrução da saída gástrica são complicações menos frequentes, mas que exigem atendimento de urgência.
A condição é grave?
A úlcera gástrica é uma condição que exige atenção, mas na maioria dos casos responde bem ao tratamento. A gravidade depende do tamanho da lesão, da causa envolvida e da presença de complicações.
Quando identificada e tratada precocemente, a ferida cicatriza e o paciente se recupera por completo. O problema maior surge quando o diagnóstico é adiado e a lesão evolui para sangramento ou perfuração.
Outro ponto de atenção é que a lesão de longa duração ou recorrente pode estar associada a alterações no tecido do estômago. Por isso, a endoscopia com biópsia é tão importante: ela permite avaliar a ferida em detalhe e descartar qualquer alteração que mereça acompanhamento.
Como é feito o diagnóstico?
O exame mais preciso é a endoscopia digestiva alta. O procedimento permite que o médico visualize diretamente a mucosa do estômago, identifique a lesão, avalie seu tamanho e profundidade, e colete material para biópsia.
A biópsia é fundamental para descartar alterações no tecido e para pesquisar a presença da bactéria H. pylori. Testes não invasivos, como o teste respiratório da ureia e o teste de antígeno fecal, também são usados para detectar a infecção quando a endoscopia não está disponível de imediato.
A investigação costuma ser indicada com mais urgência para pessoas acima de 60 anos com sintomas novos, ou para qualquer paciente que apresente sinais de alerta como perda de peso, sangramento, anemia ou dificuldade para engolir.
É importante diferenciar a dor da úlcera de outras condições do trato digestivo, como problemas na vesícula biliar. Aprofunde o tema em nosso artigo.

Tratamento da úlcera gástrica
O tratamento combina o controle da acidez, a eliminação da causa e medidas para favorecer a cicatrização.
O pilar do tratamento são os inibidores da bomba de prótons, medicamentos que reduzem a produção de ácido no estômago e permitem que a mucosa se recupere. Para úlceras menores, o tratamento dura em torno de quatro semanas.
Lesões maiores, acima de dois centímetros, podem exigir oito semanas de tratamento
Quando a lesão está associada ao H. pylori, o tratamento inclui a erradicação da bactéria com combinação de antibióticos. Protocolos atuais alcançam taxas de erradicação entre 75% e 90%, e a eliminação da infecção reduz pela metade o risco de novas úlceras em pacientes que também usam anti-inflamatórios.
Nos casos em que o problema é provocado por anti-inflamatórios, o primeiro passo é suspender ou substituir o medicamento, sempre com orientação médica. Quando o uso do anti-inflamatório não pode ser interrompido, o médico pode associar um protetor gástrico para prevenir novas lesões.
Complicações como sangramento ativo ou perfuração podem exigir tratamento endoscópico ou cirúrgico. O Dr. Fernando Bray dispõe de técnicas modernas como a laparoscopia e a cirurgia robótica, que permitem intervir com menos agressão ao corpo e favorecem uma recuperação mais confortável.
Prevenção e cuidados no dia a dia
Alguns cuidados simples ajudam a prevenir a úlcera gástrica e a evitar recorrências em quem já tratou a condição.
Evitar o uso prolongado de anti-inflamatórios sem orientação médica é uma das medidas mais importantes.
Quando o uso for necessário, o médico pode indicar um protetor gástrico associado. Dados mostram que a gastroproteção com inibidores da bomba de prótons previne uma úlcera a cada sete pacientes tratados ao longo de seis meses
Reduzir o consumo de álcool e abandonar o tabagismo também fazem diferença. Manter uma alimentação equilibrada, com refeições em horários regulares, e buscar formas de gerenciar o estresse contribuem para a saúde gástrica como um todo.
A hérnia de hiato também pode agravar o quadro gástrico ao facilitar o retorno do ácido ao esôfago. Para entender como essa condição funciona, confira nosso artigo.
O refluxo gastroesofágico é outra condição que merece controle, pois aumenta a exposição do estômago ao ácido. Para saber mais, leia nosso conteúdo sobre o tema.

Quando procurar um gastrocirurgião?
Se você sente dor ou queimação no estômago há mais de duas semanas, especialmente entre as refeições ou durante a noite, é hora de procurar um especialista.
A avaliação é ainda mais urgente quando há vômitos com sangue, fezes escuras, perda de peso ou dor abdominal intensa.
Pessoas que fazem uso frequente de anti-inflamatórios e apresentam desconforto gástrico recorrente também devem buscar acompanhamento. A lesão tratada no momento certo cicatriza bem e evita complicações que poderiam ser prevenidas.
Agende sua consulta com o Dr. Fernando Bray
Se a dor no estômago tem sido uma presença constante, não espere que ela passe sozinha. A úlcera gástrica tem tratamento, e quanto antes ele começa, mais rápido vem o alívio e a cicatrização.
O Dr. Fernando Bray é gastrocirurgião e coloproctologista, com consultório no Jardim Paulista, em São Paulo. Ele realiza a investigação completa, do diagnóstico ao tratamento, com técnicas modernas e atenção a cada paciente.
Agende sua consulta com o Dr. Fernando Bray.
Conclusão
A úlcera gástrica é uma condição que pode causar grande desconforto, mas que responde bem ao tratamento quando identificada no momento certo.
O principal é não confundir o sintoma com algo passageiro e buscar avaliação profissional para entender o que realmente está acontecendo.
Com o diagnóstico correto, o tratamento adequado e o acompanhamento médico, a cicatrização da lesão é alcançada na maioria dos casos, e o paciente recupera a qualidade de vida.
Para mais conteúdos sobre saúde gástrica e cirurgia do aparelho digestivo, continue acompanhando o blog do Dr. Fernando Bray.
FAQ: perguntas frequentes sobre úlcera gástrica
A lesão no estômago pode virar câncer?
A úlcera benigna não se transforma diretamente em câncer. Porém, a infecção crônica por H. pylori, quando não tratada, pode provocar alterações no tecido do estômago ao longo dos anos. A endoscopia com biópsia é a melhor forma de monitorar essas alterações.
Qual a diferença entre essa condição e a gastrite?
A gastrite é uma inflamação na mucosa do estômago, enquanto a úlcera é uma ferida mais profunda nessa mesma mucosa. A gastrite não tratada pode evoluir para úlcera em alguns casos.
Anti-inflamatório sempre causa úlcera?
Não. O risco depende do tipo de medicamento, da dose, do tempo de uso e de fatores individuais como a presença de H. pylori. O uso eventual e orientado por um médico costuma ser seguro. O problema surge com o uso prolongado e sem proteção gástrica.
Esse texto tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica.
Referências
Gastric Ulcer. StatPearls, NCBI Bookshelf. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK537128/
Kim SH. Peptic Ulcer Disease. Korean J Helicobacter Up Gastrointest Res. 2025. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12173569/
Peptic Ulcer Disease and H. pylori Infection: Common Questions and Answers. Am Fam Physician. 2023;107(2):165-170. https://www.aafp.org/pubs/afp/issues/2023/0200/peptic-ulcer-disease-h-pylori-infection.html