Agendar Consulta

Incontinência fecal: o que causa, quais os sintomas e como tratar

Doenças do Ânus27 de ago. de 20265 min de leituraPor Dr. Fernando Bray
Incontinência fecal: o que causa, quais os sintomas e como tratar

Perder fezes de forma involuntária é uma situação que causa constrangimento e isolamento social. Muitas pessoas convivem com esse problema por anos sem procurar ajuda médica, seja por vergonha, seja por acreditar que não existe tratamento.

A incontinência fecal é mais comum do que se imagina e pode ter diversas causas tratáveis. Neste artigo, você vai entender por que essa condição acontece, como é feito o diagnóstico e quais são as opções de tratamento disponíveis.

O que é incontinência fecal?

A incontinência fecal é definida como a perda involuntária e recorrente de fezes, sejam líquidas ou sólidas, por um período de pelo menos três meses. Essa condição compromete severamente a qualidade de vida, afetando a rotina, o convívio social e a saúde emocional do paciente.

Estudos apontam que a prevalência na população geral varia entre 7% e 15%, sendo mais frequente em mulheres e em pessoas acima de 65 anos. Apesar desses números, a subnotificação é alta: muitos pacientes não relatam o problema ao médico por constrangimento.

O funcionamento da continência depende de uma coordenação entre os esfíncteres anais, os nervos da região pélvica, a consistência das fezes e a capacidade de armazenamento do reto. Quando qualquer um desses elementos falha, a perda do controle pode se instalar.

Incontinência fecal: o que causa, quais os sintomas e como tratar

Principais causas da incontinência fecal

Diversos fatores podem levar à perda do controle evacuatório. Conhecer a causa é fundamental para escolher a melhor abordagem de tratamento.

As lesões obstétricas são a causa mais comum em mulheres. Partos vaginais, especialmente os que envolvem fórceps ou episiotomia, podem romper parcial ou totalmente o esfíncter anal externo.

As cirurgias anorretais prévias, como correção de fístulas ou hemorroidectomias, também podem enfraquecer os mecanismos de continência.

Outras causas relevantes incluem:

  1. Doenças neurológicas como diabetes, esclerose múltipla e AVC, que comprometem a inervação dos esfíncteres
  2. Envelhecimento natural, que reduz a força muscular e a sensibilidade retal
  3. Diarreia crônica de qualquer origem, que sobrecarrega a capacidade de contenção do esfíncter
  4. Prolapso retal, que desorganiza a anatomia da região anorretal

Leia mais sobre o prolapso de órgãos pélvicos e sua relação com o assoalho pélvico.

Tipos de incontinência fecal

A incontinência fecal se apresenta de formas diferentes, e reconhecer o tipo ajuda o médico a direcionar a investigação.

A incontinência passiva ocorre sem que o paciente perceba. As fezes escapam sem nenhuma sensação prévia. Esse padrão costuma indicar comprometimento do esfíncter anal interno ou da sensibilidade retal.

A incontinência de urgência é marcada pela vontade súbita e incontrolável de evacuar. O paciente sente a necessidade, mas não consegue chegar ao banheiro a tempo. Esse tipo geralmente está associado a lesões do esfíncter externo ou a alterações na capacidade de reserva do reto.

Alguns pacientes apresentam uma combinação dos dois tipos, o que pode indicar lesão em mais de um componente do mecanismo de continência.

Incontinência fecal: o que causa, quais os sintomas e como tratar

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa com uma conversa detalhada sobre a frequência dos episódios, o tipo de perda e o impacto na rotina. O coloproctologista pode utilizar escalas validadas, como a escala de Wexner, para quantificar a gravidade da incontinência fecal.

O exame físico inclui inspeção perianal e toque retal, que avaliam a integridade e a força do esfíncter. A partir daí, exames complementares direcionam a investigação.

A manometria anorretal mede as pressões de repouso e de contração do canal anal, identificando fraqueza muscular. A ultrassonografia endoanal mostra a anatomia dos esfíncteres e localiza defeitos estruturais, como rupturas pós-parto.

Quando há suspeita de causa neurológica, exames de latência do nervo pudendo e ressonância magnética da pelve complementam a avaliação. A colonoscopia pode ser indicada para afastar outras causas de alteração do hábito intestinal. Confira quando a colonoscopia é indicada.

Incontinência fecal: o que causa, quais os sintomas e como tratar

Tratamento conservador da incontinência fecal

O tratamento inicial da incontinência fecal é conservador na maioria dos casos e pode trazer resultados expressivos.

A adequação dietética é o primeiro passo. Aumentar a ingestão de fibras melhora a consistência das fezes e facilita o controle evacuatório. Quando a diarreia é o fator principal, medicamentos como loperamida ajudam a reduzir a frequência e a urgência.

O biofeedback é uma técnica de reabilitação que ensina o paciente a reconhecer e controlar a musculatura do assoalho pélvico. Sessões regulares com fisioterapeuta especializado melhoram a coordenação entre sensação retal e contração do esfíncter.

Os exercícios de fortalecimento do assoalho pélvico, conhecidos como exercícios de Kegel, complementam o biofeedback e podem ser realizados em casa, diariamente.

A combinação dessas medidas resolve ou melhora significativamente o quadro em boa parte dos pacientes, sem necessidade de cirurgia.

Incontinência fecal: o que causa, quais os sintomas e como tratar

Quando a cirurgia é necessária?

A cirurgia é indicada quando o tratamento conservador não traz melhora satisfatória após um período adequado de acompanhamento.

A neuromodulação sacral é considerada a principal opção cirúrgica atual. Um pequeno dispositivo é implantado para estimular os nervos sacrais que controlam o esfíncter anal. Estudos mostram melhora significativa na frequência dos episódios e na qualidade de vida dos pacientes tratados com essa técnica.

A esfincteroplastia é indicada quando há defeito anatômico documentado no esfíncter, como rupturas pós-parto. O procedimento reconstrói a musculatura, restaurando parcial ou totalmente a função de contenção.

Outras opções incluem injeção de agentes de volume no canal anal, que reforçam o fechamento do canal, e a instalação de esfíncter artificial em casos selecionados.

Uma linha de pesquisa que vem ganhando relevância é a terapia celular. O procedimento consiste na injeção de células no esfíncter anal com o objetivo de regenerar o tecido muscular danificado.

Estudo clínico publicado na Stem Cell Research and Therapy acompanhou 39 pacientes e observou que 79,5% alcançaram redução de pelo menos 50% nos episódios de incontinência após a injeção de células derivadas de músculo esquelético no esfíncter.

Ensaio de fase 1/2 publicado nos Annals of Surgery, com 48 pacientes, confirmou a segurança do procedimento e mostrou que 24,4% dos participantes recuperaram a continência completa em 12 meses

A terapia celular para incontinência fecal ainda é considerada investigacional e não faz parte dos protocolos de rotina. Porém, os resultados iniciais indicam que ela poderá se tornar uma alternativa para pacientes que não respondem às opções convencionais.

Quando há condições associadas que exigem correção, técnicas minimamente invasivas como a laparoscopia podem ser utilizadas. Veja mais sobre a fissura anal e seus tratamentos.

Incontinência fecal: o que causa, quais os sintomas e como tratar

Incontinência fecal tem cura?

A perspectiva de melhora da incontinência fecal depende da causa e do grau de comprometimento. Em muitos casos, o tratamento conservador com dieta, biofeedback e exercícios já é suficiente para recuperar o controle evacuatório.

Quando a causa é um defeito estrutural no esfíncter, a cirurgia reparadora pode restaurar a continência de forma significativa. A neuromodulação sacral também apresenta bons resultados a longo prazo.

Mesmo nos casos crônicos em que a cura completa não é possível, o tratamento adequado reduz a frequência e a intensidade dos episódios, devolvendo autonomia e confiança ao paciente.

Fique tranquilo: essa é uma condição tratável, e buscar ajuda especializada é o passo mais importante para retomar a qualidade de vida.

Tratamento de incontinência fecal com o Dr. Fernando Bray

O Dr. Fernando Bray é coloproctologista e gastrocirurgião com atuação no Jardim Paulista, em São Paulo. Conduz a investigação completa, solicita os exames especializados necessários e define o plano de tratamento individualizado para cada paciente.

Para casos que exigem cirurgia, o Dr. Bray utiliza técnicas minimamente invasivas como laparoscopia e minilaparoscopia, que proporcionam menor dor no pós-operatório e recuperação mais rápida.

Recupere o controle e a confiança com o acompanhamento do Dr. Fernando Bray.

Conclusão

A incontinência fecal é uma condição mais frequente do que se imagina e que tem tratamento eficaz.

O constrangimento não deve impedir a busca por ajuda médica, pois as opções terapêuticas atuais permitem recuperar o controle evacuatório na maioria dos casos.

Se você convive com essa queixa, procure um coloproctologista para uma avaliação completa. Continue explorando outros temas sobre saúde digestiva e anorretal no blog.

FAQ: perguntas frequentes sobre incontinência fecal

Incontinência fecal é normal no envelhecimento?

Perder o controle das fezes não é uma consequência inevitável do envelhecimento. A idade avançada aumenta o risco devido ao enfraquecimento natural da musculatura, mas isso não significa que a condição deva ser aceita sem tratamento.

Qual a diferença entre incontinência fecal e urgência evacuatória?

A urgência é a sensação intensa e súbita de precisar evacuar. Quando o paciente consegue chegar ao banheiro a tempo, trata-se apenas de urgência. Quando não consegue e há perda de fezes, configura-se a incontinência.

Exercícios de Kegel ajudam na incontinência fecal?

Sim. O fortalecimento do assoalho pélvico melhora a capacidade de contração do esfíncter anal externo. Os resultados são melhores quando os exercícios são combinados com biofeedback e orientação de fisioterapeuta especializado.

Preciso usar fralda para sempre?

Não necessariamente. As fraldas e absorventes são recursos de apoio durante o tratamento, mas o objetivo é recuperar o controle evacuatório. Com acompanhamento adequado, muitos pacientes deixam de precisar desse suporte.

Referências

Dexter E, et al. Faecal incontinence: a comprehensive review. Front Surg. 2024;11:1340720.

(url: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38362459/)

Murad-Regadas SM, et al. Management of fecal incontinence: what specialists need to know? Rev Assoc Med Bras. 2023;69(6):e20230181.

(url: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10234354/)

Pehl C, et al. Management of Fecal Incontinence: Etiology, Diagnostic Approach, and Conservative Therapy. Visc Med. 2024;40(6):310-317.

(url: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11631100/)

Bittorf B, et al. Management of Fecal Incontinence: Surgical Treatment Options. Visc Med. 2024;40(6):318-324.

(url: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39664096/)

Frudinger A, et al. Skeletal muscle-derived cell implantation for the treatment of sphincter-related faecal incontinence. Stem Cell Res Ther. 2018;9(1):233. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30213273/

Knowles CH, et al. Safety and efficacy of iltamiocel cellular therapy for the treatment of fecal incontinence: results of a phase 1/2 study. Ann Surg. 2023. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37144409/

Dr. Fernando Bray
Dr. Fernando Bray

Coloproctologista e gastrocirurgião. Doutor e Mestre em Ciências da Saúde, coordenador do Núcleo de Cirurgia Robótica do Hospital Santa Catarina Paulista. CRM-SP 130.063 · RQE 34914 · RQE 35880 · RQE 37825.

Precisa de uma avaliação especializada?

Agende uma consulta presencial em São Paulo ou por videoconferência com o Dr. Fernando Bray.

Agendar consulta