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Pancreatite: entenda a inflamação no pâncreas e saiba como cuidar da sua saúde

Doenças da Vesícula Biliar e Fígado24 de ago. de 20265 min de leituraPor Dr. Fernando Bray
Pancreatite: entenda a inflamação no pâncreas e saiba como cuidar da sua saúde

Uma dor forte na parte superior do abdômen, que piora após as refeições e parece irradiar para as costas. A pancreatite é uma condição que, quando identificada e tratada no momento certo, tem bom prognóstico na maioria dos casos.

Neste artigo, você vai entender o que é a pancreatite, quais são os principais tipos e causas, como o diagnóstico é conduzido e o que a medicina oferece em termos de tratamento e prevenção.

O que é pancreatite?

A pancreatite é a inflamação do pâncreas, uma glândula localizada atrás do estômago que tem duas funções essenciais: produzir enzimas que ajudam na digestão dos alimentos e fabricar hormônios como a insulina, que controla o nível de açúcar no sangue.

Quando o pâncreas inflama, as enzimas digestivas que deveriam atuar no intestino são ativadas dentro do próprio órgão, provocando uma espécie de autodigestão. Essa agressão pode variar de uma inflamação leve e autolimitada até quadros graves com necrose do tecido pancreático.

Nos Estados Unidos, a pancreatite é a doença gastrointestinal que mais causa internações hospitalares, com 200.000 a 275.000 casos por ano.

[Pancreatite: entenda a inflamação no pâncreas e saiba como cuidar da sua saúde

Tipos de pancreatite

Existem dois tipos principais, com características e prognósticos diferentes.

A pancreatite aguda é a forma mais comum. Surge de forma súbita, provoca sintomas intensos e, na maioria dos casos, se resolve com tratamento adequado em poucos dias. Cerca de 80% dos pacientes apresentam a forma leve, que responde bem ao suporte clínico

A pancreatite crônica se desenvolve ao longo de anos de agressão contínua ao pâncreas. A inflamação repetida provoca danos permanentes ao órgão, com substituição do tecido funcional por fibrose.

Isso compromete progressivamente tanto a digestão quanto a produção de insulina. A incidência da forma crônica é estimada em 4 a 14 casos por 100.000 pessoas ao ano

Principais causas da pancreatite

Duas causas respondem pela grande maioria dos episódios agudos. Conhecer essas causas é fundamental para o tratamento e a prevenção.

  1. Cálculos biliares (pedra na vesícula): representam 35% a 40% dos casos de pancreatite aguda. As pedras migram pela via biliar e podem obstruir o canal pancreático, impedindo o fluxo normal das enzimas. Para entender melhor essa relação, leia nosso artigo sobre o assunto.
  1. Consumo crônico de álcool: responde por 17% a 25% dos episódios agudos e por cerca de 65% dos casos de pancreatite crônica
  1. Hipertrigliceridemia: níveis muito elevados de triglicerídeos no sangue, acima de 1.000 mg/dL, são responsáveis por aproximadamente 10% dos casos
  1. Causas menos comuns: medicamentos, anomalias anatômicas, fatores autoimunes e causas genéticas. Em 10% a 20% dos casos, a causa não é identificada

Sintomas da pancreatite

O sintoma principal é a dor abdominal intensa na parte superior do abdômen, geralmente na região central ou à esquerda. Essa dor costuma aparecer de forma súbita, piora após as refeições e pode irradiar para as costas, como se atravessasse o corpo.

Na forma aguda, a dor é acompanhada por náuseas, vômitos frequentes, distensão abdominal e febre. O paciente tende a buscar alívio inclinando o corpo para a frente, pois essa posição reduz a pressão sobre o pâncreas.

Na forma crônica, a dor pode ser contínua ou recorrente, associada a perda de peso progressiva, fezes gordurosas com odor forte e sinais de má absorção de nutrientes. Com o tempo, a destruição do tecido pancreático pode levar ao desenvolvimento de diabetes.

Pancreatite: entenda a inflamação no pâncreas e saiba como cuidar da sua saúde

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da pancreatite aguda se baseia em três critérios: dor abdominal compatível, elevação das enzimas pancreáticas no sangue e achados em exames de imagem.

A dosagem da lipase sérica é o exame laboratorial mais importante. Quando os valores estão acima de três vezes o limite superior da normalidade, o diagnóstico é praticamente confirmado.

A lipase apresenta sensibilidade de 85% a 100% e especificidade superior a 95%, além de permanecer elevada por 8 a 14 dias, o que permite a detecção mesmo em pacientes que demoram a procurar atendimento

A tomografia computadorizada com contraste é o exame de imagem de referência. Ela identifica a gravidade da inflamação, a presença de necrose e possíveis complicações. A ultrassonografia abdominal complementa a investigação, especialmente para avaliar a presença de cálculos biliares como causa do episódio.

A pancreatite é grave?

A gravidade varia conforme o tipo e a extensão da inflamação. A maioria dos casos é leve e se resolve sem complicações, com mortalidade de apenas 1% a 2%.

Porém, entre 20% e 30% dos pacientes desenvolvem formas mais graves, com necrose do tecido pancreático. Nessas situações, a mortalidade pode chegar a 20%, e quando há infecção da necrose, o risco se eleva ainda mais

A avaliação precoce da gravidade é feita com escalas clínicas e exames laboratoriais. Pacientes com formas graves precisam de internação em unidade de terapia intensiva, suporte nutricional especializado e, eventualmente, procedimentos para drenar coleções ou remover tecido necrosado.

Tratamento da pancreatite

O tratamento da forma aguda é feito no hospital e inclui hidratação intravenosa, controle da dor, jejum inicial e reintrodução gradual da alimentação conforme a tolerância do paciente.

Quando a causa são cálculos biliares, a retirada da vesícula é essencial para prevenir novos episódios. Uma meta-análise recente demonstrou que a colecistectomia precoce, realizada ainda na mesma internação ou em até 14 dias, reduz o risco de recorrência de forma significativa em comparação com a cirurgia adiada

Quando a cirurgia é adiada, o risco de um novo episódio se aproxima de 30%.

Na forma crônica, o tratamento foca no controle da dor, na reposição de enzimas pancreáticas para auxiliar a digestão e no controle do diabetes quando ele se desenvolve. A abstinência do álcool é medida fundamental para frear a progressão da doença.

Pancreatite: entenda a inflamação no pâncreas e saiba como cuidar da sua saúde

Como prevenir novos episódios?

A prevenção depende diretamente da causa identificada. Quando o problema está ligado a cálculos biliares, a retirada da vesícula é a medida mais eficaz.

Nos casos relacionados ao álcool, a abstinência completa é indispensável. Dados mostram que cerca de 24% dos pacientes com pancreatite de origem alcoólica apresentam recorrência, e o consumo continuado aumenta o risco de evolução para a forma crônica

Manter os níveis de triglicerídeos controlados, evitar o tabagismo e seguir uma alimentação equilibrada também ajudam a proteger o pâncreas. O acompanhamento médico regular permite identificar sinais de recorrência antes que o quadro se agrave.

O refluxo gastroesofágico é outra condição digestiva que merece atenção e pode coexistir em pacientes com problemas no trato digestivo superior. Confira nosso conteúdo sobre o tema.

Quando procurar um gastrocirurgião?

Procure atendimento médico imediatamente se sentir dor abdominal intensa na parte superior do abdômen, especialmente se acompanhada de vômitos, febre ou dor que irradia para as costas. Esses sintomas podem indicar uma pancreatite aguda que precisa de avaliação hospitalar.

A consulta com um gastrocirurgião também é indicada quando o paciente já teve um episódio e precisa avaliar a necessidade de retirar a vesícula, ou quando há sintomas crônicos como dor abdominal recorrente, perda de peso e alterações nas fezes.

Agende sua consulta com o Dr. Fernando Bray

Se você teve um episódio de pancreatite ou sente dor abdominal persistente que ainda não foi investigada, a avaliação com um especialista é o próximo passo. Identificar a causa e iniciar o tratamento no momento certo faz toda a diferença para evitar complicações e recorrências.

O Dr. Fernando Bray é gastrocirurgião e coloproctologista, com consultório no Jardim Paulista, em São Paulo. Ele oferece uma investigação completa e realiza procedimentos como a colecistectomia por laparoscopia e a cirurgia robótica, buscando sempre a melhor recuperação para o paciente.

Agende sua consulta com o Dr. Fernando Bray.

Conclusão

A pancreatite é uma condição que pode variar de um episódio agudo e passageiro até um problema crônico com impacto significativo na qualidade de vida. O que define o desfecho, na maioria das vezes, é a velocidade do diagnóstico e a correta identificação da causa.

Quando o problema está ligado a cálculos biliares, a retirada da vesícula no momento certo é uma das decisões mais importantes para evitar que o quadro se repita.

Cuidar do pâncreas é cuidar de uma peça central do sistema digestivo. Não espere um segundo episódio para buscar orientação.

Pancreatite: entenda a inflamação no pâncreas e saiba como cuidar da sua saúde

Para mais conteúdos sobre saúde digestiva e gastrocirurgia, continue acompanhando o blog do Dr. Fernando Bray.

Perguntas frequentes sobre pancreatite

A pancreatite pode voltar?

Sim. Cerca de 25% dos pacientes que tiveram um episódio agudo apresentam recorrência. Por isso, tratar a causa, como retirar a vesícula ou suspender o consumo de álcool, é fundamental para evitar novos episódios.

Quem teve pancreatite pode beber socialmente?

Depende da causa. Quando o episódio foi provocado por álcool, a abstinência completa é recomendada. Nos casos de origem biliar, o consumo moderado pode ser discutido com o médico após a resolução completa do quadro.

A pancreatite pode causar diabetes?

Sim. A inflamação crônica ou episódios graves podem destruir as células do pâncreas que produzem insulina. Estudos mostram que até 39% dos pacientes com formas graves desenvolvem algum grau de insuficiência endócrina em cinco anos.

Esse texto tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica.

Referências

Acute Pancreatitis. StatPearls, NCBI Bookshelf. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK482468/

Weiss FU, et al. Etiology and Risk Factors of Acute and Chronic Pancreatitis. Visc Med. 2019;35(2):73-81. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6514487/

Lippi G, et al. Laboratory diagnosis of acute pancreatitis: in search of the Holy Grail. Crit Rev Clin Lab Sci. 2016;53(1):18-40. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4653980/

Acute Pancreatitis: Update on Evidence-Based Management. Cureus. 2025. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11866315/

Dr. Fernando Bray
Dr. Fernando Bray

Coloproctologista e gastrocirurgião. Doutor e Mestre em Ciências da Saúde, coordenador do Núcleo de Cirurgia Robótica do Hospital Santa Catarina Paulista. CRM-SP 130.063 · RQE 34914 · RQE 35880 · RQE 37825.

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