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Tipos de constipação intestinal e como cuidar de cada um

Doenças do Intestino8 de set. de 20265 min de leituraPor Dr. Fernando Bray
Tipos de constipação intestinal e como cuidar de cada um

Ir ao banheiro com dificuldade, sentir que o intestino nunca esvazia por completo ou passar dias sem evacuar. Se você se identificou com alguma dessas situações, saiba que não está sozinho. A constipação intestinal é um dos problemas digestivos mais comuns na população.

O que muita gente não sabe é que existem tipos diferentes de constipação, e cada um tem causas e tratamentos distintos. Tomar laxante sem saber a origem do problema pode trazer alívio momentâneo, mas não resolve o quadro de forma duradoura.

Neste artigo, você vai entender a classificação médica da constipação intestinal, conhecer os sinais de cada tipo e descobrir quais cuidados realmente funcionam. Fique tranquilo: na maior parte dos casos, o tratamento é eficaz e melhora a qualidade de vida de forma significativa.

Tipos de constipação intestinal e como cuidar de cada um

O que é constipação intestinal?

A constipação intestinal, também chamada de prisão de ventre, é definida pela dificuldade persistente para evacuar. Os critérios médicos consideram constipado quem apresenta pelo menos dois dos seguintes sintomas por três meses ou mais: menos de três evacuações por semana, fezes endurecidas, esforço excessivo, sensação de evacuação incompleta ou necessidade de manobras manuais para evacuar.

Esses critérios foram estabelecidos pela classificação Roma IV, publicada no periódico Gastroenterology, referência internacional para o diagnóstico de distúrbios funcionais do trato digestivo.

No Brasil, o problema é bastante frequente. Estudo de base populacional em São Paulo avaliou 3.050 adultos e encontrou prevalências de 12,7% para fezes endurecidas, 8% para sensação de evacuação incompleta e 7,6% para esforço excessivo.

Por que existem tipos diferentes de constipação?

O intestino é um sistema complexo. A evacuação depende de três fatores trabalhando juntos: o movimento do cólon (que empurra as fezes), a coordenação dos músculos do assoalho pélvico (que controlam a saída) e a consistência das fezes (influenciada pela dieta e hidratação).

Quando qualquer um desses fatores falha, o resultado pode ser constipação. Mas a causa muda conforme o mecanismo afetado, e é por isso que o tratamento não pode ser o mesmo para todos.

Revisão publicada no Mayo Clinic Proceedings classifica a constipação crônica em primária (funcional) e secundária (causada por medicamentos, doenças metabólicas ou neurológicas).

A constipação funcional, que é a mais comum, se divide em três subtipos principais. Conhecê-los faz diferença na hora de escolher o tratamento.

Constipação de trânsito normal

Este é o tipo mais frequente. O cólon funciona em velocidade adequada, os exames de trânsito intestinal vêm normais, mas o paciente se queixa de dificuldade para evacuar.

Na constipação de trânsito normal, a causa costuma estar relacionada à percepção do paciente. A pessoa sente inchaço, desconforto ou sensação de evacuação incompleta, mesmo quando o funcionamento do intestino está dentro dos padrões fisiológicos.

Artigo publicado no American Family Physician descreve esse subtipo e aponta que o diagnóstico geralmente é feito por exclusão, após afastar causas secundárias e outros subtipos.

O tratamento costuma responder bem a ajustes na dieta (aumento de fibras e água), atividade física regular e, quando necessário, uso pontual de laxantes osmóticos.

Para saber como as fezes podem indicar o funcionamento do intestino, leia o artigo sobre o que as fezes dizem sobre sua saúde.

Constipação de trânsito lento

Na constipação de trânsito lento, o cólon se movimenta de forma mais lenta do que o normal. As fezes levam mais tempo para percorrer o intestino grosso, perdem água ao longo do caminho e chegam ao reto endurecidas e ressecadas.

Pacientes com esse quadro costumam relatar evacuações muito espaçadas (às vezes uma vez por semana ou menos), pouca sensação de urgência para ir ao banheiro e inchaço abdominal persistente.

O diagnóstico pode ser confirmado por um exame chamado estudo de trânsito colônico, que mede o tempo que marcadores levam para percorrer o intestino. A diretriz conjunta AGA/ACG de 2023 recomenda o uso de fibras, laxantes osmóticos e, em casos refratários, medicamentos pró-secretores como linaclotida e prucaloprida.

Tipos de constipação intestinal e como cuidar de cada um

Constipação por disfunção do assoalho pélvico

Este tipo de constipação, também chamado de dissinergia defecatória ou defecação dissinérgica, acontece quando os músculos do assoalho pélvico não se coordenam corretamente na hora de evacuar.

Em vez de relaxar para permitir a passagem das fezes, esses músculos se contraem. O paciente sente que faz força, mas as fezes não saem. É como tentar empurrar algo contra uma porta fechada.

Revisão publicada na Alimentary Pharmacology and Therapeutics aponta que a dissinergia está presente em cerca de 40% dos pacientes avaliados por constipação crônica em centros especializados.

O diagnóstico envolve o exame de toque retal, manometria anorretal e teste de expulsão de balão. Esses exames avaliam se os músculos trabalham de forma coordenada durante a tentativa de evacuação.

Como identificar qual tipo de constipação você tem?

É difícil saber sozinho qual tipo de constipação intestinal está por trás dos seus sintomas. Os três subtipos podem causar queixas semelhantes, e o autodiagnóstico costuma levar a tratamentos inadequados.

Artigo publicado no Expert Review of Gastroenterology and Hepatology descreve uma abordagem prática para diferenciar os subtipos e reforça que o exame clínico e os testes funcionais são indispensáveis.

A escala de Bristol é uma ferramenta simples que pode ajudar na conversa com seu médico. Criada pelos pesquisadores Lewis e Heaton e validada no Scandinavian Journal of Gastroenterology, ela classifica as fezes em sete tipos, do mais ressecado ao mais líquido.

Fezes do tipo 1 (pequenas bolinhas duras) e tipo 2 (formato de salsicha, mas irregular e endurecida) indicam trânsito lento. Já a dificuldade de expulsão mesmo com fezes de consistência normal aponta para disfunção do assoalho pélvico.

Quando a constipação se torna crônica, a colonoscopia pode ser solicitada para descartar causas orgânicas.

Veja como é o preparo e o que esperar do exame neste artigo sobre colonoscopia.

Tratamentos e cuidados para cada tipo de constipação

O tratamento depende do subtipo identificado. Para a constipação de trânsito normal, o foco é comportamental: aumento progressivo de fibras, hidratação adequada e regularidade de horários para ir ao banheiro.

Para a constipação de trânsito lento, a diretriz AGA/ACG recomenda uma escala terapêutica que começa com fibras e laxantes osmóticos. Quando essas medidas não são suficientes, medicamentos mais específicos podem ser prescritos.

No caso da dissinergia defecatória, o tratamento de primeira linha é o biofeedback. Ensaio clínico randomizado publicado no Clinical Gastroenterology and Hepatology demonstrou que o biofeedback foi superior ao tratamento padrão e ao placebo, com melhora significativa na frequência evacuatória e na coordenação muscular.

Os resultados do biofeedback são duradouros. Estudo publicado no American Journal of Gastroenterology confirmou que os benefícios se mantiveram por pelo menos um ano após o tratamento.

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Fibras, água e exercícios: o papel dos hábitos diários

Independentemente do tipo de constipação intestinal, três hábitos formam a base do cuidado: fibras na alimentação, hidratação e atividade física regular.

Meta-análise atualizada publicada no American Journal of Clinical Nutrition avaliou 16 ensaios clínicos com 1.251 participantes e concluiu que a suplementação de fibras aumentou a frequência evacuatória em 66% dos pacientes, contra 41% no grupo controle.

O tipo de fibra importa. Psyllium e pectina mostraram os resultados mais consistentes. Fibras insolúveis em excesso podem piorar os sintomas em quem tem trânsito lento, por isso a orientação profissional faz diferença na escolha.

A combinação entre fibras e água é fundamental: sem hidratação adequada, o aumento de fibras pode causar mais inchaço e desconforto.

Confira dicas de alimentação saudável para evitar constipação neste artigo do blog.

O Dr. Fernando Bray pode investigar e tratar sua constipação

Se a constipação intestinal é frequente e não melhora com mudanças na dieta, é importante investigar a causa com um especialista. O uso prolongado de laxantes sem diagnóstico pode mascarar problemas que precisam de tratamento específico.

O Dr. Fernando Bray, especialista em coloproctologia em São Paulo, realiza a avaliação completa do quadro: exame clínico, toque retal, e quando necessário, manometria anorretal e exames complementares para identificar qual tipo de constipação intestinal está presente.

Com o diagnóstico correto, o tratamento se torna direcionado. Se for dissinergia, o encaminhamento para biofeedback. Se for trânsito lento, medicação adequada. Se for constipação funcional, orientação sobre dieta e hábitos.

Agende sua consulta com o Dr. Fernando Bray

Entender a causa é o primeiro passo para o alívio

A constipação intestinal tem solução. Mas para que o tratamento funcione, é preciso saber qual tipo de constipação está por trás dos sintomas. Cada subtipo responde a uma abordagem diferente, e o que funciona para um pode ser ineficaz para outro.

Se os sintomas persistem apesar das mudanças na alimentação e nos hábitos, procure avaliação médica. O diagnóstico correto evita o uso desnecessário de laxantes e abre caminho para um cuidado que realmente resolve.

Continue explorando conteúdos sobre saúde digestiva no blog do Dr. Fernando Bray.

Esse texto tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica.

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Perguntas frequentes sobre constipação intestinal

Quantas vezes por semana é normal evacuar?

A faixa considerada normal vai de três vezes por semana a três vezes por dia. Menos de três evacuações por semana, acompanhadas de sintomas como esforço e fezes endurecidas, pode indicar constipação.

Laxantes fazem mal se usados por muito tempo?

Depende do tipo. Laxantes osmóticos e fibras podem ser usados por períodos mais longos sob orientação médica. Já laxantes estimulantes devem ser evitados como uso crônico, pois podem causar dependência e reduzir a motilidade natural do intestino.

Biofeedback funciona para constipação?

Sim, para um tipo específico: a dissinergia defecatória. Estudos mostram que o biofeedback corrige a descoordenação muscular em 70% a 80% dos pacientes, com resultados que se mantêm a longo prazo.

A constipação pode estar relacionada à síndrome do intestino irritável?

Sim. A variante SII-C (com predominância de constipação) é um dos diagnósticos diferenciais que o médico deve considerar.

Para saber mais sobre esse quadro, veja o artigo sobre síndrome do intestino irritável.

Quando devo me preocupar com a constipação?

Procure avaliação médica se a constipação veio acompanhada de sangue nas fezes, perda de peso sem explicação, anemia, início súbito após os 50 anos ou piora progressiva dos sintomas.

Referências

Mearin et al. Bowel disorders (Rome IV). Gastroenterology, 2016.

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27144627/)

Chinzon et al. Epidemiology of constipation in São Paulo. Curr Med Res Opin, 2015.

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Bharucha, Wald. Chronic constipation. Mayo Clin Proc, 2019.

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Jamshed et al. Diagnostic approach to chronic constipation in adults. Am Fam Physician, 2011.

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https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35816465/

Dr. Fernando Bray
Dr. Fernando Bray

Coloproctologista e gastrocirurgião. Doutor e Mestre em Ciências da Saúde, coordenador do Núcleo de Cirurgia Robótica do Hospital Santa Catarina Paulista. CRM-SP 130.063 · RQE 34914 · RQE 35880 · RQE 37825.

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