Agendar Consulta

Gases intestinais: por que acontecem e o que fazer para aliviar

Doenças do Intestino10 de set. de 20265 min de leituraPor Dr. Fernando Bray
Gases intestinais: por que acontecem e o que fazer para aliviar

A barriga incha, o desconforto aparece e a flatulência se torna frequente. Para muitas pessoas, os gases intestinais são mais do que um incômodo passageiro. Eles atrapalham o dia a dia, geram constrangimento e, em alguns casos, indicam algo que merece investigação.

O corpo produz gases naturalmente durante a digestão. Isso é completamente normal. O problema começa quando a produção é excessiva, a eliminação se torna difícil ou os sintomas passam a ser constantes. Nesses casos, entender a causa faz toda a diferença no tratamento.

Neste artigo, você vai conhecer os tipos de gases intestinais, as principais causas e as medidas que realmente ajudam a aliviar o desconforto. Fique tranquilo: na maioria das vezes, o controle é possível com ajustes simples.

O que são gases intestinais e como eles se formam?

Os gases intestinais se formam por dois mecanismos principais: a deglutição de ar e a fermentação bacteriana no intestino grosso.

Quando comemos ou bebemos, engolimos pequenas quantidades de ar. Esse processo é chamado de aerofagia e tende a aumentar quando a pessoa come rápido, fala durante as refeições ou masca chiclete com frequência. Parte desse ar é absorvida, e o restante segue pelo trato digestivo.

O segundo mecanismo é a fermentação. Quando carboidratos que não foram completamente digeridos chegam ao cólon, as bactérias intestinais os fermentam e produzem hidrogênio, metano e dióxido de carbono.

Artigo publicado no American Family Physician descreve esses mecanismos e aponta que a maioria dos casos de gases excessivos está associada a distúrbios funcionais do trato digestivo, e não a doenças graves.

Gases intestinais: por que acontecem e o que fazer para aliviar

Quais são os tipos de gases intestinais?

Os gases intestinais se manifestam de formas diferentes. O arroto (eructação acontece quando o ar acumulado no estômago é expelido pela boca. Já a flatulência ocorre quando os gases produzidos no intestino grosso são eliminados pelo reto.

Existe ainda a distensão abdominal, a sensação de barriga inchada e estufada. Revisão publicada no Journal of Neurogastroenterology and Motility aponta que entre 15% e 30% da população adulta relata essa queixa de forma frequente, e que entre os pacientes com síndrome do intestino irritável o número passa de 90%.

Um ponto importante: ter gases é normal. O corpo elimina gases entre 10 e 20 vezes por dia. O que diferencia o normal do problema é a intensidade, a frequência e o incômodo que os sintomas causam.

Causas mais comuns de gases em excesso

As causas de gases intestinais em excesso podem ser comportamentais ou clínicas. Entre as comportamentais, as mais frequentes são:

  1. Disbiose (desequilíbrio na composição da microbiota intestinal)
  2. Intolerâncias alimentares
  3. Déficits de enzimas digestivas inflamação intestinal
  4. Efeito adverso de alguns medicamentos

Já entre as causas clínicas, destacam-se a intolerância à lactose, a síndrome do intestino irritável, a disbiose intestinal e a constipação crônica. Quando as fezes ficam retidas no cólon por mais tempo, a fermentação aumenta e a produção de gases também.

A constipação é uma causa comum de distensão. Confira orientações de alimentação saudável para evitar constipação.

Medicamentos como anti-inflamatórios, suplementos de ferro e antibióticos também podem alterar a microbiota e aumentar a formação de gases.

Gases intestinais: por que acontecem e o que fazer para aliviar

Gases intestinais e a síndrome do intestino irritável

A relação entre gases intestinais e a SII é estreita. Pacientes com essa síndrome relatam distensão abdominal e flatulência com frequência muito superior à da população geral.

O mecanismo, porém, nem sempre envolve excesso de gás. Em muitos casos, o problema está na hipersensibilidade visceral: o intestino reage de forma amplificada a volumes normais de gás, causando dor e desconforto fora de proporção.

Isso explica por que muitas pessoas com gases persistentes não apresentam alterações em exames. O problema não está na quantidade de gás, mas na forma como o corpo percebe essa presença.

Para entender melhor essa condição, confira o artigo sobre síndrome do intestino irritável.

Alimentação e gases: o papel dos FODMAPs

Alimentos ricos em FODMAPs são os maiores responsáveis pela produção de gases por fermentação. A sigla se refere a um grupo de carboidratos fermentáveis presentes em feijão, lentilha, brócolis, couve-flor, cebola, alho e laticínios.

Revisão sistemática de ensaios clínicos randomizados publicada na Nutrients confirmou que a dieta com baixo teor de FODMAPs reduz significativamente dor abdominal, inchaço e gases em pacientes com distúrbios gastrointestinais funcionais.

É importante lembrar que essa dieta não é para ser seguida indefinidamente. Ela funciona em fases: restrição, reintrodução e personalização. O acompanhamento nutricional é fundamental para evitar deficiências.

O que realmente funciona para aliviar os gases intestinais

O tratamento dos gases intestinais depende da causa. Para a maioria dos casos, medidas simples trazem alívio significativo.

Mastigar devagar e com a boca fechada reduz a aerofagia. Fracionar as refeições ao longo do dia evita sobrecargas no intestino. Introduzir fibras de forma gradual, sempre com hidratação adequada, previne o efeito rebote de inchaço.

Quando os ajustes comportamentais e alimentares não são suficientes, o médico pode recomendar simeticona para ajudar na fragmentação dos gases, o carvão vegetal ativado, gengibre, chás anti inflamatórios ou probióticos específicos para reequilibrar a microbiota.

Para entender melhor, veja o artigo sobre probióticos e prebióticos.

Quando os gases intestinais merecem investigação médica

Na maioria das vezes, gases são incômodos, mas inofensivos. No entanto, alguns sinais indicam que o quadro merece investigação.

Dor abdominal intensa e recorrente, perda de peso sem explicação, sangue nas fezes, alteração no padrão intestinal que não melhora e febre são sinais de alerta. Esses sintomas podem indicar doença celíaca, doença inflamatória intestinal ou supercrescimento bacteriano.

Se os gases persistem há semanas, não melhoram com ajustes na dieta e prejudicam sua qualidade de vida, vale agendar uma consulta.

O Dr. Fernando Bray pode investigar a causa dos seus gases intestinais

Se os gases intestinais são frequentes e você já tentou ajustes na alimentação sem resultado, é hora de procurar avaliação especializada. O desconforto persistente pode ter uma causa funcional ou orgânica que precisa de investigação.

O Dr. Fernando Bray, especialista em coloproctologia e gastrocirurgia em São Paulo, avalia o quadro de forma completa, incluindo histórico alimentar, exame clínico e, quando necessário, exames complementares para identificar a origem do problema.

Com o diagnóstico correto, o tratamento se torna mais eficaz, seja ele nutricional, medicamentoso ou comportamental.

Agende sua consulta com o Dr. Fernando Bray

Conclusão

Os gases intestinais fazem parte do funcionamento normal do corpo, mas quando se tornam excessivos ou causam desconforto constante, investigar a causa é o caminho mais seguro. Ajustes na alimentação, no comportamento à mesa e, quando necessário, o acompanhamento médico fazem diferença real.

Continue acompanhando o blog do Dr. Fernando Bray para se aprofundar em saúde digestiva e conferir novos conteúdos.

Esse texto tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica.

Gases intestinais: por que acontecem e o que fazer para aliviar

Perguntas frequentes sobre gases intestinais

Quantas vezes por dia é normal soltar gases?

A faixa considerada normal é de 10 a 20 eliminações por dia. Acima disso, ou quando acompanhado de dor e distensão persistente, vale investigar a causa.

Gases podem indicar algo mais grave?

Na maioria dos casos, não. Porém, quando acompanhados de sangue nas fezes, perda de peso ou dor intensa, é necessário procurar avaliação médica para afastar causas orgânicas.

Lactose pode causar gases excessivos?

Sim. A intolerância à lactose é uma das causas mais comuns de gases e distensão abdominal. O diagnóstico pode ser feito por teste respiratório de hidrogênio.

Dieta low FODMAP é indicada para todo mundo?

Não. Ela é indicada para pacientes com síndrome do intestino irritável ou outros distúrbios funcionais, e deve ser orientada por um profissional para evitar restrições desnecessárias.

Referências

Wilkinson JM et al. Gas, Bloating, and Belching: Approach to Evaluation and Management. Am Fam Physician, 2019. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30811160/

Seo AY et al. Abdominal Bloating: Pathophysiology and Treatment. J Neurogastroenterol Motil, 2013. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC3816178/

Oancea E et al. Efficacy of a Low-FODMAP Diet on the Severity of Gastrointestinal Symptoms: A Systematic Review of Randomized Controlled Trials. Nutrients, 2025. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40573159/

Dr. Fernando Bray
Dr. Fernando Bray

Coloproctologista e gastrocirurgião. Doutor e Mestre em Ciências da Saúde, coordenador do Núcleo de Cirurgia Robótica do Hospital Santa Catarina Paulista. CRM-SP 130.063 · RQE 34914 · RQE 35880 · RQE 37825.

Precisa de uma avaliação especializada?

Agende uma consulta presencial em São Paulo ou por videoconferência com o Dr. Fernando Bray.

Agendar consulta