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Tipos de laser na proctologia, por que o CO2 e o diodo tratam doenças tão diferentes

Cirurgia Robótica e Tecnologia23 de out. de 20265 min de leituraPor Dr. Fernando Bray
Tipos de laser na proctologia, por que o CO2 e o diodo tratam doenças tão diferentes

O médico fala em laser de CO2 para uma coisa e laser de diodo para outra, e a dúvida aparece na hora. Não era tudo laser?

Era, e não é. Os tipos de laser se comportam de formas muito diferentes no tecido, e é essa diferença que define qual deles trata a hemorroida, a fístula, o plicoma ou a fissura.

Este artigo explica, em linguagem simples, o que muda entre os sistemas usados na proctologia, com as profundidades, os alvos e as aplicações de cada um.

Por que existe mais de um laser?

Porque cada laser emite a luz em um comprimento de onda específico, e é ele que define qual componente do tecido absorve a energia, a água ou a hemoglobina, por exemplo.

Essa absorção determina a profundidade de penetração, o efeito produzido e o calor que sobra para os vizinhos. Um laser que vaporiza a superfície não serve para coagular por dentro, e vice-versa.

Na coloproctologia atual, três sistemas dominam a prática, o laser de CO2 e os lasers de diodo de 980 e de 1.470 nanômetros, cada um com a sua vocação.

O que muda de um sistema para o outro?

As diferenças centrais entre os tipos de laser cabem em quatro pontos:

  1. Laser de CO2, com 10.600 nm, altíssima absorção pela água, vaporização precisa e dano térmico lateral baixo
  2. Diodo de 980 nm, absorvido pela hemoglobina e pela água, equilibra corte e coagulação, com penetração de 5 a 7 mm
  3. Diodo de 1.470 nm, com alta afinidade pela água, coagula e retrai o tecido com penetração de 2 a 3 mm
  4. Forma de entrega, braço articulado e scanners no CO2, fibras ópticas flexíveis nos diodos

É esse conjunto que o cirurgião pesa ao escolher a ferramenta, junto com a doença, a anatomia e o objetivo do procedimento.

Tipos de laser na proctologia, por que o CO2 e o diodo tratam doenças tão diferentesLaser de CO2, o especialista em superfície

Operando em 10.600 nanômetros, o CO2 é altamente absorvido pela água das células, o que leva à vaporização quase instantânea do tecido no ponto de impacto.

Isso permite incisões e ablações extremamente precisas, com uma zona de dano térmico tipicamente inferior a 200 micrômetros em relação ao tecido saudável vizinho, menos de um quinto de milímetro.

O antigo bisturi de luz evoluiu com os scanners modernos, que permitem ablações controladas em procedimentos delicados, caso das fissurectomias e do tratamento de plicomas e condilomas.

Diodo de 980 nm, o equilíbrio entre corte e coagulação

O diodo de 980 nanômetros é bem absorvido tanto pela hemoglobina do sangue quanto pela água, o que proporciona equilíbrio entre corte e coagulação com boa hemostasia.

A profundidade térmica de 5 a 7 milímetros pede respeito e técnica, com prevenção de lesão vascular entre as prioridades de segurança no seu uso.

É uma ferramenta de trabalho interno, levada ao alvo por fibras ópticas finas que entram por acessos mínimos, sem cortes amplos.

Diodo de 1.470 nm, a retração controlada

O 1.470 tem afinidade ainda maior pela água, o que limita a penetração a cerca de 2 a 3 milímetros e concentra o efeito exatamente onde a fibra toca.

O resultado são efeitos térmicos controlados, com retração do tecido, coagulação e fibrose, e risco reduzido para as estruturas ao redor, incluindo o precioso músculo da continência.

É o comprimento de onda consagrado nas técnicas por dentro, como a hemorroidoplastia a laser, em que o coxim da hemorroida é tratado sem corte e sem retirada de tecido.

Cada doença com o seu laser

Nas hemorroidas, revisão sistemática com 1.570 pacientes registrou resolução dos sintomas de 70% a 100% com as técnicas de laser, lideradas pelo diodo. O panorama está no artigo sobre o laser para hemorroidas.

Nas fístulas anais, a técnica FiLaC usa a fibra radial de diodo dentro do trajeto. Metanálise com 454 pacientes encontrou cicatrização primária de 67,3%, com apenas 4% de complicações, todas menores.

Na doença pilonidal, a fibra de diodo destrói o tecido doente por dentro, reduzindo a necessidade de ressecções extensas, como mostra o artigo sobre o laser para cisto pilonidal.

Já as fissuras crônicas, os plicomas e os condilomas ficam com o CO2, que vaporiza e corta com precisão de superfície. A aplicação na fissura é detalhada no artigo sobre o laser para fissura anal crônica.

Segurança comparada, o outro lado da escolha

Cada sistema tem o próprio mapa de cuidados. No CO2, a prioridade é a prevenção de queimaduras e a proteção da mucosa com barreiras umedecidas, por conta da vaporização superficial intensa.

Nos diodos, o foco muda para o controle da profundidade e a prevenção de lesão vascular, evitando o contato direto da fibra com a mucosa durante o disparo e resfriando os tecidos após a energia.

Em todos, valem as regras da sala preparada, com proteção ocular, aspiração de fumaça e a checagem formal de segurança antes do primeiro disparo.

Tipos de laser na proctologia, por que o CO2 e o diodo tratam doenças tão diferentes

Não existe o melhor laser, existe o laser certo

A pergunta que importa não é qual tipo de laser é superior, e sim qual resolve o seu problema com mais segurança e menos agressão.

A escolha nasce do tripé doença, anatomia e objetivo, somado à experiência do cirurgião com cada plataforma e aos protocolos do serviço.

Em muitos casos, os sistemas se combinam no mesmo paciente, o diodo tratando o componente interno e o CO2 refinando o externo, cada um fazendo o que faz melhor.

Os tipos de laser na prática do Dr. Fernando Bray

O Dr. Fernando Bray é coloproctologista e gastrocirurgião em São Paulo, com consultório no Jardim Paulista e atuação em hospitais como Albert Einstein, Vila Nova Star, Santa Catarina e São Luiz Morumbi.

O arsenal dele cobre as duas famílias deste artigo e vai além, com laser de diodo, laser de CO2, radiofrequência e fotobiomodulação, combinados conforme o componente interno e externo de cada caso.

Tipos de laser na proctologia, por que o CO2 e o diodo tratam doenças tão diferentes

Na avaliação, ele examina a doença, explica qual tecnologia serve ao seu caso e por quê, e desenha o plano completo, do procedimento à recuperação.

Agende sua consulta com o Dr. Fernando Bray

Conclusão

Os tipos de laser não competem entre si, se complementam. O CO2 domina a superfície com precisão de micrômetros, e os diodos trabalham por dentro, coagulando e retraindo com fibras finas.

Entender essa divisão ajuda você a fazer perguntas melhores na consulta e a desconfiar de respostas únicas. A doença certa, com o laser certo, é o que produz os resultados que os estudos registram.

Continue acompanhando o blog do Dr. Fernando Bray para conhecer os tipos de laser e as demais tecnologias antes de decidir.

Esse texto tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica.

Perguntas frequentes sobre os tipos de laser

Qual é a diferença entre laser de CO2 e laser de diodo?

O CO2 age na superfície, vaporizando com precisão e dano lateral mínimo, ideal para fissuras, plicomas e condilomas. Os diodos penetram mais e trabalham por dentro, com fibras ópticas, coagulando hemorroidas, fístulas e cistos pilonidais.

Laser de 980 nm ou de 1.470 nm, qual é melhor?

Depende do objetivo. O 980 equilibra corte e coagulação com penetração maior, e o 1.470 concentra o efeito em 2 a 3 milímetros, com retração controlada e menos risco ao redor. A escolha é do cirurgião, caso a caso.

O mesmo paciente pode ser tratado com mais de um tipo de laser?

Pode, e é comum. Nas hemorroidas com componente externo, por exemplo, o diodo trata por dentro e o CO2 refina a pele por fora, no mesmo procedimento, cada tecnologia na sua função.

Os tratamentos com laser têm comprovação científica?

Têm. Revisões sistemáticas e metanálises sustentam as principais técnicas, com resolução de sintomas de 70% a 100% nas hemorroidas e cicatrização primária de 67,3% nas fístulas, sempre dependendo da seleção do caso.

Referências

Longchamp G, Liot E, Meyer J, Toso C, Buchs NC, Ris F. Non-excisional laser therapies for hemorrhoidal disease: a systematic review of the literature. Lasers in Medical Science, 2021. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32914275/

Elfeki H, Shalaby M, Emile SH, Sakr A, Mikael M, Lundby L. A systematic review and meta-analysis of the safety and efficacy of fistula laser closure. Techniques in Coloproctology, 2020. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32065306/

Romic I, Augustin G, Bogdanic B, Bruketa T, Moric T. Laser treatment of pilonidal disease: a systematic review. Lasers in Medical Science, 2022. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34291332/

Dr. Fernando Bray
Dr. Fernando Bray

Coloproctologista e gastrocirurgião. Doutor e Mestre em Ciências da Saúde, coordenador do Núcleo de Cirurgia Robótica do Hospital Santa Catarina Paulista. CRM-SP 130.063 · RQE 34914 · RQE 35880 · RQE 37825.

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