Existe um tipo de ferida que testa a paciência de qualquer pessoa, aquela que simplesmente não fecha. Na proctologia, o exemplo clássico é a fissura anal, o pequeno corte que dói como se fosse grande e insiste em não cicatrizar.
É nesse cenário que a fotobiomodulação vem ganhando espaço. A técnica usa a luz de um laser de baixa potência para dar energia às células, acelerar a cicatrização e aliviar a dor, sem cortar nem queimar nada.
Neste artigo, você vai entender como a luz age no corpo, por que a fissura anal se tornou um alvo natural da técnica e o que a ciência já mostra sobre os resultados.
O que é a fotobiomodulação?
Fotobiomodulação é o uso terapêutico da luz em baixa intensidade para estimular as células. O equipamento é um laser de baixa potência, que emite luz vermelha, infravermelha ou a combinação das duas.
A palavra explica o método. Foto é luz, bio é vida e modulação é ajuste. A luz não aquece nem destrói o tecido, ela regula o funcionamento das células, como um estímulo que acorda a maquinaria da cicatrização.
A técnica é consolidada em áreas como a dermatologia, odontologia e o tratamento de feridas, e agora avança sobre as condições anorretais.
Como a luz age dentro das células?
Cada cor de luz conversa com uma estrutura diferente da célula, e é essa a chave para entender os efeitos da técnica.
A luz vermelha age nas mitocôndrias, as usinas de energia celular, estimulando uma enzima da cadeia respiratória e aumentando a produção de ATP, o combustível do reparo. Os mecanismos da fotobiomodulação foram mapeados em detalhe por revisões científicas da área.
A luz infravermelha atua em receptores da membrana celular, liberando sinais como o cálcio e o óxido nítrico. Na prática, a vermelha é a luz da cicatrização e a infravermelha é a luz do alívio da dor e da inflamação.

Os efeitos que interessam ao paciente
Traduzindo a biologia para o dia a dia, a técnica entrega quatro efeitos principais:
- Cicatrização acelerada, com ativação das células que reconstroem a pele e a mucosa
- Alívio da dor, com ação direta sobre a percepção dolorosa na região tratada
- Controle da inflamação, modulando a resposta inflamatória sem medicamentos
- Mais colágeno, com estímulo aos fibroblastos que dão firmeza ao novo tecido
Tudo isso sem corte, sem queimadura e sem tempo de recuperação, o que explica por que a técnica conquistou tantas especialidades.
Por que a fissura anal é um alvo natural da técnica?
A fissura anal é uma das queixas mais comuns da proctologia, com incidência estimada em 1,1 caso por 1.000 pessoas ao ano em estudo populacional americano.
O que a torna crônica é um ciclo vicioso. A dor do corte faz o esfíncter interno contrair demais, a contração comprime os vasos que irrigam a região e a falta de circulação impede a ferida de fechar, o que perpetua a dor.
A fotobiomodulação mira exatamente os dois vilões do ciclo, a dor e a cicatrização travada. Entenda o quadro completo no artigo sobre o que é a fissura anal, seus sintomas e tratamentos.
Como é a sessão na fissura anal?
A sessão é rápida e feita em consultório, sem anestesia. A luz vermelha é aplicada diretamente sobre a fissura, com a ponteira protegida por filme descartável, e a infravermelha ao redor do ânus, para a dor e o espasmo.
O toque é suave e o procedimento costuma ser bem tolerado mesmo em quem está com dor. Muitos pacientes relatam alívio já nas primeiras aplicações.
O protocolo habitual usa duas a três sessões por semana, e o número total varia conforme a resposta de cada caso, sempre definido conforme orientação médica.

A fotobiomodulação substitui os outros tratamentos?
Não substitui, e é importante deixar isso claro. Ela funciona como aliada dentro do plano completo, que continua começando por fibras, água e banhos de assento, seguidos das pomadas que relaxam o esfíncter.
Quando o tratamento tópico falha, entram opções como a toxina botulínica e, nos casos refratários, a cirurgia, conforme as diretrizes da sociedade americana de cirurgia colorretal.
O papel da luz é acelerar a cicatrização e dar conforto em qualquer etapa desse caminho. Sobre a opção do botox, veja o artigo que explica quando a toxina botulínica é a melhor opção na fissura anal.
O que a ciência já mostra e o que ainda falta
Na cicatrização de feridas em geral, a fotobiomodulação tem histórico consolidado de segurança e resultados. Na fissura anal especificamente, a literatura é recente e vem crescendo.
Pesquisas já exploram a laserterapia como opção para controlar a dor da fissura anal, com achados iniciais animadores.
O quadro honesto é o de uma técnica segura, indolor e com bases biológicas sólidas, que ainda aguarda estudos maiores na coloproctologia para definir protocolos e o tamanho exato do benefício.
Tratamento da fissura anal com o Dr. Fernando Bray
O Dr. Fernando Bray é coloproctologista e gastrocirurgião em São Paulo, com consultório no Jardim Paulista e atuação em hospitais como Albert Einstein, Vila Nova Star, Santa Catarina e São Luiz Morumbi.

No tratamento da fissura anal, o Dr. Bray conduz o caminho completo, das medidas clínicas e pomadas à toxina botulínica e ao laser, chegando à cirurgia apenas quando o caso realmente exige.
Com formação continuada em pós-graduação nas tecnologias de energia da proctologia, ele acompanha de perto a evolução de técnicas como a fotobiomodulação e indica cada recurso com a evidência científica como guia. Conheça também o que é a terapia com laser.
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Conclusão
A fotobiomodulação representa uma mudança de lógica no cuidado com as feridas que não fecham. Em vez de agredir o tecido para forçar uma resposta, ela dá às células a energia que faltava para o trabalho.
Na fissura anal, isso significa atacar a dor e a cicatrização travada ao mesmo tempo, sem cortes e sem afastamento da rotina, como parte de um plano de tratamento bem conduzido.
Continue acompanhando o blog do Dr. Fernando Bray para mais conteúdos sobre as tecnologias da proctologia.
Esse texto tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica.
Perguntas frequentes sobre fotobiomodulação
A sessão de fotobiomodulação dói?
Não. O laser de baixa potência não corta nem queima, e a aplicação é um toque suave com luz. Mesmo pacientes com fissura dolorosa costumam tolerar bem, e a luz infravermelha pode ser usada primeiro justamente para aliviar a dor.
Quantas sessões são necessárias?
O protocolo habitual usa duas a três sessões por semana, com o total definido pela resposta de cada caso e conforme orientação médica. O alívio da dor costuma vir cedo, enquanto a cicatrização completa pede mais tempo.
Fotobiomodulação é o mesmo que cirurgia a laser?
Não. Na cirurgia, o laser de alta potência corta ou vaporiza o tecido. Na fotobiomodulação, a luz é de baixa potência e serve para estimular as células, sem remover nada. São ferramentas diferentes, com papéis diferentes no tratamento.
A técnica serve para outras condições além da fissura?
Sim. A fotobiomodulação é usada há anos na cicatrização de feridas, na dermatologia e na odontologia, e vem sendo estudada em outras situações da proctologia, como o conforto no pós-operatório de cirurgias anorretais.
Referências
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