O universo dos procedimentos estéticos vai muito além das intervenções mais comuns. Hoje em dia, já é possível fazer plásticas em várias partes do corpo, e um dos procedimentos menos conhecidos é a plástica anal.

A cirurgia de plástica anal é recomendada para corrigir imperfeições na região do ânus. Comumente, essas imperfeições são excesso de pele, conhecidos como plicomas anais (ou retais). Além de ter uma melhora estética, a retirada dos plicomas também auxilia na higiene da região.

O que são plicomas anais?

O plicoma anal é uma saliência de pele que é normalmente localizada na parte de fora do ânus. Geralmente não causa dor nem tem sintomas associados e são percebidos durante a higienização do ânus ou ato sexual. Eles são mais comuns em mulheres e pessoas acima do peso.

No entanto, em alguns casos, a imperfeição pode causar coceira e contribuir para o acúmulo de resíduos de fezes. Quando isso acontece, é mais fácil e comum o surgimento de inflamação e/ou infecções na região.

Não existe uma causa específica para a aparição de plicomas, mas eles geralmente surgem por inflamações crônicas no ânus. O processo inflamatório faz com que a região inche e, ao desinchar, a pele não volta ao normal, gerando, assim, a flacidez e o excesso de pele.

A inflamação pode ser causada por um dos seguintes fatores:

  • Gravidez

As mulheres grávidas podem ter plicoma anal por causa do aumento do útero e, às vezes, por alterações hormonais. Isso leva ao aumento da pressão intra-abdominal e, consequentemente, ao inchaço perianal.

  • Hemorroidas 

O inchaço das hemorroidas pode fazer com que a pele perca elasticidade e acabe formando o plicoma. A evacuação de fezes endurecidas também contribui para o problema.

  • Fissuras anais

Em fissuras que estão cicatrizando, a pele pode se juntar e formar o excesso. Isso também pode acontecer em cicatrizações de feridas de uma cirurgia anal.

  • Doenças inflamatórios no intestino

Neste caso, a doença de Crohn é a que mais pode causa plicomas.

  • Irritações constantes como micoses ou dermatites

Os plicomas anais ainda podem surgir nas seguintes situações:

  • Constipação

Isso acontece porque as fezes ressecadas exigem um esforço maior no movimento de evacuação, o que pode causar lesões no ânus. 

  • Parto

Durante o esforço do trabalho de parto, algumas mulheres também desenvolvem plicomas.

  • Relações sexuais

Os plicomas podem surgir pela prática de sexo anal, apesar de não serem uma Doença Sexualmente Transmissível (DST). A chance é ainda maior quando o ato acontece sem lubrificação.

Sintomas e Diagnóstico

O único sintoma do plicoma anal é o surgimento do excesso de pele na região do ânus. O plicoma, em si, não costuma causar dor, apenas um incômodo.

O diagnóstico deve ser feito por meio de um exame da região perianal. O médico encontra o plicoma quando detecta lesões cor-de-rosa ou saliência da cor da pele ao redor do ânus, o que pode ser descrito informalmente como uma “pele solta no ânus”.

Caso seja necessário, pode ser feita uma biópsia, quando uma amostra minúscula do plicoma é retirada para ser analisada. Isso pode acontecer principalmente se houver um estranhamento em relação ao tamanho, forma ou cor da lesão.

Cirurgia

A retirada do plicoma anal é feita por meio de intervenção cirúrgica. O procedimento é feito principalmente por razões estéticas, uma vez que o abaulamento raramente acarreta em problemas de saúde.

A cirurgia é simples. O excesso é retirado com um corte e a ferida é fechada com pontos. Não é necessária preparação prévia.

Depois do procedimento, o paciente pode voltar a fazer esforços  leves em até quatro dias. As atividades pesadas e exercícios físicos, porém, só devem voltar a ser realizados após a completa cicatrização da ferida.

A evacuação pode ocorrer normalmente após a cirurgia. As primeiras podem causar alguma dor ou desconforto, mas isso é importante para que a ferida seja cicatrizada corretamente. Também é comum a presença de sangue e pus nas fezes logo após a intervenção.

Quando a cicatrização não é feita de maneira correta, a retirada do plicoma pode acarretar em fissuras anais, principalmente em pacientes com maus hábitos intestinais e fezes ressecadas. Caso isso ocorra, deverá ser feito um tratamento específico para a correção do problema.

Prevenção

A melhor forma de não precisar de uma cirurgia plástica anal, no entanto, é prevenir o aparecimento dos plicomas.

Para isso, o paciente deve evitar hábitos intestinais ruins com a formação de  fezes duras e ressecadas, por meio de uma alimentação rica em fibras e hidratação adequada. 

Os alimentos que contêm maior teor de fibras e devem estar presente na dieta são: as  leguminosas (feijão, ervilha, lentilha, grão de bico, soja em grão); grãos, farelos e farinhas integrais (arroz, linhaça, aveia, cevada, milho, trigo); pães e biscoitos integrais (centeio, farinha integral, milho); frutas (abacate, abacaxi,banana, caju, goiaba, kiwi, laranja, maçã com casca, manga, maracujá, mamão, melancia, melão, tangerina, morango, pêra com casca, pêssego com casca, tâmara, uva fresca e passas) e vegetais (alface, abóbora, abobrinha, aipo, aspargos, beterraba, brócolis, couve, acelga, batata-doce, rúcula, escarola, espinafre, repolho, salsa, cebolinha, cebola, cenoura crua, couve-flor, milho verde, pepino, pimentão, quiabo, rabanete, tomate cru).

Deve-se evitar também a ingestão de alimentos que deixam as fezes ácidas, como pimenta, pimentão, temperos prontos e linguiça. Também é recomendável evitar comidas muito condimentadas.

Plicomas e Hemorroidas

Plástica anaisMuita gente confunde plicomas com hemorroidas, mas os dois problemas são bem diferentes. Enquanto o plicoma é um simples excesso de pele, a hemorroida é um vaso inchado e inflamado que causa sangramento e dor. Ela também aparece na região do ânus.

As hemorroidas são divididas entre as internas e as externas. As internas provocam sintomas mais fortes, como coceira, dor e ardor após ou durante a evacuação. Já as externas são visíveis ao olho nu e se parecem com bolas de sangue coagulado. Como são vasos dilatados, quando uma hemorroida se rompe, há extravasamento de sangue.

Elas são caracterizadas por:

  • Prurido anal
  • Dor anal, principalmente enquanto se está sentado
  • Sangue vermelho vivo no papel higiênico, nas fezes ou no vaso sanitário
  • Dor ao evacuar
  • Um ou mais nódulos endurecidos sensíveis próximos ao ânus
  • Inchaço ao redor do ânus.

As causas da formação de hemorroidas são diversas. Pessoas obesas são mais propensas a desenvolver o problema, pois o excesso de peso pressiona as veias abdominais. Ter uma vida sedentária e não praticar exercícios também é um fator de risco, pois reduz o estímulo para a digestão dos alimentos e irrigação de sangue no ânus. Há mulheres que podem desenvolver hemorroidas na gravidez, já que o peso provoca pressão sobre as veias do abdome. Dieta pobre em fibras e predisposição genética também estão entre as causas.

Os tratamentos existentes variam de acordo com o estado de cada paciente. Alguns casos podem ser resolvidos com uso de pomadas ou supositórios. Outros podem necessitar de cirurgia chamada de hemorroidectomia e que implica na retirada dos vasos  comprometidos.

Para prevenir a formação de hemorroidas recomenda-se adotar hábitos saudáveis de vida, que incluem rotina de exercícios físicos e alimentação equilibrada, rica em alimentos com fibras e consumo de frutas frescas. É importante também beber bastante líquidos e evitar o excesso de bebidas alcoólicas. 

Diferença para o HPV

O plicoma anal muitas vezes é confundido com outras doenças, geralmente mais sérias, como o HPV, que causa verrugas na região anal, conhecidas como condilomas.

As verrugas costumam surgir entre 1 e 6 meses após o contágio. A aparição é mais rápida em mulheres gestantes e em pacientes imunossuprimidos, como os portadores de HIV, o vírus da AIDS.

O HPV, no entanto, pode ficar assintomático no organismo por anos. A diminuição da resistência do organismo pode desencadear a multiplicação do HPV e, consequentemente, provocar o aparecimento de lesões. 

As primeiras manifestações da infecção surgem entre 2 a 8 meses, mas pode demorar até 20 anos para aparecer algum sinal. A maioria das infecções em mulheres, principalmente nas adolescentes, tem resolução espontânea, pelo próprio organismo, em até 24 meses.

Mesmo quando as lesões surgem, algumas podem ser invisíveis a olho nu. Veja as diferenças abaixo:

  • Lesões clínicas

Elas são os condilomas. Na maioria dos casos, são verrugas na região genital e no ânus. popularmente conhecidas como “crista de galo”, “figueira” ou “cavalo de crista”. Podem ser únicas ou múltiplas, de tamanhos variáveis, achatadas ou papulosas (elevadas e sólidas). Em geral, são assintomáticas, mas podem causar coceira no local.

  • Lesões subclínicas 

Essas são as invisíveis a olho nu. Elas podem ser encontradas nos mesmos locais das lesões clínicas e não apresentam sintoma. As lesões subclínicas podem ser causadas por tipos de HPV de baixo e de alto risco para desenvolver câncer e podem acometer vulva, vagina, colo do útero, região perianal, ânus, pênis (geralmente na glande), bolsa escrotal e/ou região pubiana. Menos frequentemente, podem estar presentes em áreas extragenitais, como conjuntivas, mucosa nasal, oral e laríngea. 

Se perceber qualquer alteração na região anal e perineal, procure o seu médico coloproctologista para que esse possa realizar o exame clinico e o diagnostico diferencial das lesões para que seja prescrito o tratamento adequado.