Apesar de hérnia de parede abdominal ser um problema comum, muitas pessoas sequer sabem que possuem e como tratar. 

Isso acontece quando uma parte do corpo ou órgão muda de posição e se desloca para outro lugar indevido através de um defeito ou falha em uma estrutura corporal.

 Um dos tipos mais comuns de hérnia são as da parede abdominal que ocorrem quando há algum enfraquecimento da musculatura do abdome, que pode ser genético, ou que pode surgir após um aumento da pressão dentro da barriga. Esse segundo caso acontece em decorrência de atividades que exigem muito esforço físico, devido à obesidade ou à gravidez, por exemplo.

 Sintomas e diagnóstico de hérnia

 Apesar de haver alguns tipos diferentes de hérnias da parede abdominal, os sintomas são similares. Além da protuberância característica na pele, que pode ou não estar presente, a doença dá outros sinais. Veja alguns deles abaixo:

  • Dor no local da hérnia ou no abdome;
  • Inchaço no local da hérnia;
  • Sensação de fisgada ou repuxar;

O diagnóstico é suspeitado no exame físico e confirmado por exames de imagem como ultrassonografia e tomografia de abdome.

No exame físico o médico realiza manobras de Valsalva, ou seja, pede ao paciente para tossir ou para assoprar a sua mão sem deixar que o ar escape, aumentando assim a pressão intra-abdominal e fazendo com que o conteúdo herniário se insinue através de fraqueza da parede abdominal. 

Nos casos de hérnias muito pequenas e em pacientes obesos, pode ser que no exame físico não seja facilmente identificada.

 Tipos de Hérnias da Parede Abdominal

 Há alguns tipos de hérnia abdominal que são mais comuns. Veja abaixo quais são:

 • Hérnia de Parede Abdominal: Hérnia umbilical

Hérnia de Parede Abdominal

As hérnias umbilicais costumam ser fruto de uma fraqueza adquirida ou congênita na região do umbigo. Esse tipo de hérnia é muito comum em bebês, sendo que seu surgimento tem relação com a abertura para a passagem do cordão umbilical.

 A hérnia umbilical é caracterizada por uma protuberância no umbigo ou em volta dele. Esse inchaço é formado por gordura ou por uma parte do intestino delgado ou grosso que conseguiu atravessar o músculo do abdome. Isso é mais comum em casos de excesso de peso e gravidez, por exemplo.

 Geralmente, nas crianças essas hérnias não causam sintomas e regridem sem intervenção cirúrgica nos primeiros anos de vida. Os pediatras costumam acompanhar a evolução da hérnia umbilical antes de determinar o tratamento.

 Em adultos, a hérnia umbilical pode ser causada por um aumento da pressão intra-abdominal. Alguns dos fatores podem ser os seguintes: obesidade, distensão abdominal, ascite ou gravidez.

 Quando a doença aparece na fase adulta, as chances de precisar de intervenção cirúrgica aumentam muito. A cirurgia é chamada de herniorrafia, ela é pode ser realizada por 3 métodos: aberta, laparoscópica ou via cirurgia robótica. Dependendo do tamanho do defeito na parede abdominal pode ou não ser utilizada uma tela de proteção. A recuperação da cirurgia de hérnia umbilical dependente do tamanho hérnia operada, mas, geralmente, pode voltar às atividades normais da rotina em cerca de 1-2 semanas.

• Hérnia de Parede Abdominal: Hérnia epigástrica

Hérnia de Parede AbdominalA hérnia epigástrica se manifesta na região acima do umbigo. Ela é ocasionada quando há deficiência na junção da musculatura na região central do abdome. 

 Isso pode gerar diversos pequenos orifícios entre os músculos, pelos quais podem surgir as hérnias epigástricas. Ela está associada a pequenos defeitos na formação da parede abdominal.

 A hérnia epigástrica deve ser tratada para evitar complicações. O tratamento também acontece através de intervenção cirúrgica aberta, laparoscópica ou via cirurgia robótica. E também, dependendo do tamanho do defeito na parede abdominal pode ou não ser utilizada uma tela de reforço.

 Normalmente, a recuperação da herniorrafia é rápida e pode-se voltar às atividades normais da rotina em cerca de 1-2 semanas.

• Hérnia de Parede Abdominal: Hérnia incisional

A hérnia incisional aparece em uma região do abdome que passou por um procedimento cirúrgico. 

A incisão realizada durante a cirurgia anterior, por algum motivo, pode causar um enfraquecimento da musculatura na região e propiciar então o surgimento de uma hérnia. 

Em alguns casos, a cicatrização inadequada gera esse tipo de hérnia ou infecções nas incisões durante o período de recuperação cirúrgica.

Elas são mais frequentes em pessoas com obesidade, que tiveram uma infecção da ferida operatória, fumantes, ou em portadores de diabetes, doenças pulmonares ou qualquer doença que aumente a pressão dentro do abdome.

Para a correção da hérnia, é necessária uma nova cirurgia. O cirurgião pode voltar a abrir a cicatriz ou fazer uma cirurgia por laparoscopia ou cirurgia robótica por meio de pequenos furos, que fecham o defeito da parede abdominal e instala uma tela para dar um reforço nos músculos da parede abdominal, impedindo que os órgãos consigam passar e façam peso em cima da área com fraqueza na região da cicatriz.

• Hérnia de Parede Abdominal: Hérnia inguinal

Hérnia de Parede AbdominalA hérnia inguinal consiste na saída da gordura abdominal ou de alças intestinais, geralmente do intestino delgado, pelo canal inguinal, são hérnias na região da virilha. As hérnias deste tipo são mais frequentes nos homens e do lado esquerdo do corpo, mas podem ocorrer em mulheres e dos dois lados da virilha.

Além disso, há dois tipos de hérnias inguinais. A hérnia inguinal direta é mais comum nos adultos e idosos, acontecendo após fazer esforços que aumentam a pressão na barriga, como pegar em objetos pesados ou exercício físico intenso.

Já a hérnia inguinal indireta é mais comum nos bebês e crianças. Acontece por um problema congênito que permite a entrada de um pedaço do intestino na região da virilha e até bolsa escrotal. Ambas são tratadas através de intervenção cirúrgica.

O diagnóstico da hérnia inguinal inicia-se pela obtenção do histórico clínico detalhado, do exame físico, além do exame de ultrassonografia para determinar a presença de qualquer fraqueza e defeito na região inguinal com saída de conteúdo herniário que o paciente possa apresentar.

A cirurgia para hérnia inguinal, chamada herniorrafia ou hernioplastia inguinal, por laparoscopia e via robótica, realizada sob anestesia geral, propiciam uma rápida recuperação às atividades do cotidiano por ser menos agressiva e apresentar menor dor pós-operatória comparada a cirurgia aberta. Na herniorrafia inguinal minimamente invasiva é fundamental a utilização de tela, que funciona como um reforço para evitar que haja a recidiva da hérnia.

• Hérnia de Parede Abdominal: Hérnia femoral

Hérnia de Parede AbdominalPor fim, a hérnia femoral é semelhante à hérnia inguinal, porém, localizada na porção inferior da virilha, quase no início da coxa.

Ocorre através do canal femoral que fica na base da coxa e é mais frequente em mulheres. Trata-se de uma passagem anatômica do corpo por onde passam importantes vasos sanguíneos e nervos da perna.

A indicação é corrigi-la o mais rápido possível, pois esse tipo de hérnia apresenta grandes chances de complicações. A cirurgia é muito semelhante a da hérnia inguinal, inclusive por também ser realizada por meio de cirurgia minimamente invasiva, laparoscópica e robótica.

 

Encarceramento e estrangulamento da hérnia

 Dois dos grandes perigos das hérnias são o encarceramento e estrangulamento. Ambas podem causar consequências graves ao organismo e aos órgãos.

O encarceramento acontece quando o intestino passa pelo defeito da parede abdominal e fica preso dentro da hérnia e não consegue retornar para dentro do abdome, o que pode provocar uma obstrução intestinal. 

Já o estrangulamento da hérnia é a de evolução do encarceramento com maior potencial de comprometimento do órgão herniado.

O estrangulamento acontece quando a hérnia fica presa na abertura que permitiu sua passagem e ocorre uma redução do fluxo sanguíneo do órgão preso afetado, causando dor na região. Os sintomas mais comuns são fortes dores abdominais no local, náusea, vômito e dificuldade para evacuar e soltar gases. A hérnia prende essa parte do órgão com muita força e bloqueia o fornecimento de sangue. O quadro evolui para necrose e perfuração intestinal, que pode causar infecção grave e óbito se não tratada com urgência. 

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