É uma das causas mais frequentes de consultas gastroenterológicas em pacientes ambulatoriais, comprometendo, de forma significativa, a qualidade de vida de seus portadores. Ocorre quando o ácido estomacal retorna ao tubo digestivo (esôfago), causando sintomas e/ou complicações.

O conteúdo extravasado (refluxo) irrita a parede do esôfago e causa a DRGE.

CAUSAS

O mecanismo que facilita o refluxo gastroesofágico mais comum é o relaxamento da válvula do esôfago causado pela redução ou perda da tensão muscular (hipotonia).

Outros fatores podem estar envolvidos no surgimento da DRGE, como hérnia de hiato, gravidez, obesidade, dieta rica em gordura e alimentos cítricos, álcool, tabaco e uso de medicamentos (por exemplo, ansiolíticos, estrógenos etc.)

SINTOMAS

A percepção de episódios de refluxo, que podem ou não se transformar em sintomas de DRGE, é bastante complexa e depende das características do material refluído, das condições da parede do esôfago e do nível de sensibilidade individual, ou seja, pode haver refluxo sem manifestação clínica.

Os sintomas mais comuns são pirose (azia) e regurgitação ácida. Se o paciente apresenta tais sintomas, no mínimo, duas vezes por semana, em um período de quatro a oito semanas ou mais, o diagnóstico da DRGE deve ser averiguado.

  • A azia é uma sensação de queimação vinda da parte de trás do esterno, um osso localizado na parte anterior do tórax, que pode irradiar-se pelo peito, pescoço ou garganta. Em geral, ocorre 30 a 60 minutos após a ingestão de alimentos, especialmente se houver refeição abundante e farta ou rica em gordura.
  • A regurgitação é o retorno do conteúdo ácido até a cavidade oral. Pode produzir um sabor amargo na boca e provocar algo como um arroto úmido ou até mesmo vômito.
  • Outros sintomas relacionados à DRGE são os chamados sintomas atípicos, como tosse, pigarro, dor de garganta e de ouvido, rouquidão etc.

DIAGNÓSTICO

A principal ferramenta para o diagnóstico da DRGE é a história clínica do paciente que busca identificar sintomas característicos da doença, sua duração, intensidade, frequência, fatores desencadeantes e de alívio, padrão de evolução no decorrer do tempo e impacto na qualidade de vida do paciente.

Se for necessário realizar exames subsidiários, será solicitada endoscopia digestiva ala. Por meio dela, o gastroenterologista visualiza diretamente o esôfago, o estômago e a primeira parte do intestino delgado com um endoscópio (tubo flexível) que pode ser introduzido na boca.

Durante esse procedimento, o médico pode obter uma pequena amostra de tecido para ser examinada em laboratório. Podem ainda ser requisitados um ou mais dos seguintes exames diagnósticos:

  • Radiografia do esôfago, estômago e duodeno: realizada após a ingestão de uma substância de contraste com bário, para visualizar o esôfago.
  • Estudos da motilidade ou manometria esofágica: efetuados para avaliar os movimentos peristálticos (contrações) do esôfago com a deglutição.
  • Monitorização do pH esofágico: utiliza eletrodos para avaliar o pH (nível de ácido) no esôfago. Em geral, esse exame é realizado durante um período de 24 horas. Um monitor – carregado pelo paciente – registra os níveis de ácido no órgão.

TRATAMENTO

Os objetivos dos tratamentos da DRGE são aliviar os sintomas, cicatrizar as lesões (e manter a cicatrização) e prevenir recidivas (recaídas) e complicações. O médico poderá indicar o tratamento medicamentoso, sempre de maneira individualizada, a cada paciente.

Pode ser recomendado tratamento clínico, ou seja, apenas medidas de ordens geral e comportamental – como mudanças de “estilo de vida” que podem ser significativas na melhora dos sintomas da DRGE.

As medidas visam diminuir e/ou prevenir o refluxo gastroesofágico e aumentar a competência do esfíncter inferior do esôfago, devendo-se:

  • Elevar a cabeceira da cama em cerca de 15 cm. Tal medida pode diminuir o número de episódios de refluxo;
  • Reduzir o peso em obesos. Às vezes, observa-se que tal medida é suficiente para o desaparecimento ou a atenuação dos sintomas;
  • Evitar deitar logo após as refeições principais, pois a posição de decúbito (deitado) nessa ocasião favorece muito o refluxo gastroesofágico; evitar situações que aumentam a pressão intra-abdominal ou intragástrica: flexão do tórax ou das pernas sobre o abdome, refeições muito fartas e volumosas, uso de cintas ou roupas muito apertadas;
  • Não ingerir bebidas gasosas nem alimentos que diminuem a pressão do esfíncter inferior do esôfago (exs.: chocolate, gordura) ou que atuam como irritantes da mucosa do esôfago (exs.: sucos cítricos, café etc.), álcool e fumo.